sábado, março 13, 2010

"O amor é como um espelho quando quebra: você pode consertá-lo, mas ainda poderá ver a rachadura quando olhar..."

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Estive em seu corpo. Na minha imaginação idealizei suas linhas, descobri seus contornos, quis seus pecados. Senti docemente toda a alteração de espírito, vivenciei a passagem do desejo intenso a verdade profunda. Senti seu corpo.
Eu quis mais.
Toquei com calma seu rosto e encarei seus olhos: não pedi sua alma, mas quis saborear os minutos ternos. Seria a ausência da manhã seguinte que me fez duvidar do brilho que vi neles?
Até que ponto posso te desejar? Até onde devo te querer... Até quando?
Nunca quis ser tudo, mas esperava ser o suficiente. Chamar sua atenção, marcar presença, abrir meus braços e receber seu corpo entre eles.
Nunca quis ser eterna, mas queria ser o bastante.
Não quero machucar. Não quero prender. Quero, e basta.
Quero. E é pecado?

domingo, janeiro 24, 2010

Todo amor acaba.

Todo amor começa.


"Go now. And don't look back".

sábado, janeiro 16, 2010



O relógio de pulso marcava seis e meia da manhã e ela voltava para casa.

Os passos eram lentos, no ritmo que a descrença e a bebedeira permitiam, e no fundo ela protelava o momento de abrir a porta da frente de casa. No horizonte o dia clareava cada vez mais. O céu tingido de vários tons de dourado e alaranjado anunciavam um dia bonito pela frente. Coisa que ela ,se tudo desse certo, não veria: estaria trancada no quarto curando a ressaca física e moral.

A primeira era curada rapidamente: analgésico, água, café forte.

A outra levava um tempo maior, e um martírio um pouco maior também, para se curar.

Existiam fases: do questionamento a certeza, da dúvida a cruel a constatação de que desde o começo sabia-se de tudo, vislumbrara todos os acontecimentos e não tivera, em momento algum, intenção de evitá-los.

A confusão ao desacreditar de si mesmo, ao culpar os outros, ao tentar entender os outros.

A bebedeira que expulsa a verdade à força da boca, que atiça os mais leves sentidos até que tudo se torne perigosamente inebriante, confunde e esclarece as coisas.

Entrou em casa, despiu-se, sentou-se a cama, encarou o rosto levemente pálido no espelho.

Mais uma vez.

Novamente a gênese e o apocalipse de pequenos universos e delicados paradoxos. De novo motivo de noites sem dormir ao remoer palavras ébrias.

E então a frase que se repete a cada noite cheia de alcool: "Eu nunca mais farei isso..."

Eu nunca...

"Bebamos! nem um canto de saudade! Morrem na embriaguez da vida as cores! Que importam sonhos, ilusões desfeitas? Fenecem como as flores!"

José Bonifácio

*Texto antigo, de 2008, mais ainda me faz ter certa reflexão

**Pintura de Edward Hopper, a tristesa e a solidão que ele tinha a capacidade de expressar em seus quadros é algo absurdamente impressionante.

domingo, novembro 22, 2009

Conto da Tragédia Anunciada


Não meu bem, não se preocupe não. A vida é bem assim, cada um por si, sem pena, só penúria.
Não, não vou chorar não. Já passei dessa idade, amor, e sei que são lágrimas em vão.
Se acreditei em algum momento? Acreditei não.
Meu coração bateu forte, meu pensamento não pensou outra coisa, a boca ficou seca, mas no fundo... acreditei não. Foi o conto da tragédia anunciada, sabia? Eu soube.
Eu senti.
Não, você não estava ali. Era só corpo, só mãos e tato. Eu é que vi as coisas do outro lado, montei quimeras. Não, não perca a paciência não, não carece. Não faço repreendas, não critico. Só digo.
Você nunca esteve aqui.
E pra que mentir, meu bem? Pra que fazer sofrer? Pra que matar aos poucos, pra que? Pra que?
Não, não vou amar mais não. É nesse momento que eu penso que você matou o que me restava de coração...

terça-feira, julho 07, 2009

"...No meu pior desespero
Você ainda vai se importar?

Você estará lá?

Nas minhas provações
E minhas tribulações
Pelas minhas dúvidas
E frustrações
Na minha violência
Na minha turbulência
Pelo meu medo
E minhas confissões

Na minha angústia e minha dor
Pela minha alegria e minha culpa..."

segunda-feira, maio 18, 2009

Eu sou a criança inquieta, a vontade que não cessa, sou a saudade de casa. Sou a paixão arrebatadora, o carinho amigo, a risada alta. Sou o medo do futuro, o arrependimento do passado. Eu sou aquela vontade de jogar tudo fora, de fazer escândalo, de sentar num canto e chorar. Sou a voz que acorda as 4 horas da madrugada cantando uma música da infância, que já tinha sido esquecida há muito tempo....
Eu sou as palavras jogadas ao vento numa tarde fria, sou o caderno cheio de lembranças, sou as cartas que nunca chegam ao destino e que envelhecem guardadas dentro de livros. Eu sou toda felicidade em um momento e no outro sou só confusão. Eu sou a mesmice do domingo, a correria da semana, a vontade de gritar. Ou sou o banho de chuva. Sou a risada no meio do filme de drama, sou o sonho insano, o desejo secreto, as resoluções malucas.
Sou sempre a pior maneira de resolver as coisas, as decisões mais estúpidas, as declarações de amor mais bestas, as razões mais infundadas.
Sou o caos e o marasmo, a vontade e a preguiça, o medo e impulso.
Eu sou a promessa de nunca esquecer, de um dia voltar, de fazer tudo diferente. E eu vou.
Mas no fundo eu sou aquela que nunca vai mudar.
Sou. Vou. Até o dia em que tudo acabar.

segunda-feira, maio 04, 2009

Eu me pego desejando frequentemente. Desejando teu beijo, teu abraço, o aconchego dos teus braços. É aquele tipo de coisa que não passa nunca, só muda de intensidade. Se deito na cama fria, enrolada no cobertor insensível, meu corpo tenta sentir a presença do teu, a me aquecer. É uma espécie de martírio e alívio combinados, entrelaçados. As vezes eu desejo tanto ouvir a sua voz que quase consigo materializá-la em meu ouvido, a me dizer coisas bobas, a me falar frases bestas, ou me deixar abobalhada com sua capacidade de me impressionar. Faz-me sentir em casa e num exílio na Sibéria ao mesmo tempo.
Eu desejo teu olhar sobre mim. Teu pensamento em mim. Desejo o tempo todo, o dia inteiro, quase que sem cessar. Desejo sair da linha de novo, dizer que gosto, que me apaixonei, que quero, que penso, que preciso. Desejo demonstrar meu afeto o tempo todo, a cada segundo, sem me sentir inconveniente, inadequada, chata mesmo dessas de galochas.
Eu desejo ser pra você algo de bom, fazer diferença, ter importância.
E talvez meu erro seja esse, desejar tão intenso, sentir tão profundo. Talvez meu excesso tenha afetado tua cautela. Meu desejo, disparado teu alarme contra tudo isso.
Ou talvez eu só seja dramática demais.
Meu único medo? Sentir esse desejo morrer, ser sufocado, acabar.
Por que por mais que machuque em alguns momentos ao mesmo tempo foram os desejos mais doces e ternos que já senti na vida.

quinta-feira, abril 23, 2009




Não devo sentir nada assim... ou devo? Quando tudo mais de simples e complexo se juntaram e explodiram, essa questão parece simplesmente tão banal, mas não deve ser deixada assim, ao relento.
Eu me sinto assim, como que guardando numa caixinha revestida de veludo um bocado de sentimentozinhos agrupados, tímidos e insensatos, todos dando voltas e correndo em círculos, mas tão belos, pobrezinhos, tão singelos em seu jeito de ser. No fundo não carecem de muito cuidado, eles brotam sempre, vem com força, mesmo nas adversidades. Mas se sufocam amontoados num canto, quando eu me calo, quando eu me aquieto. Quando eu corro, deixando todos eles caírem e se perderem pelo caminho, ou quando os enterro no lugar mais fundo e frio que encontro.
Sacrifico cada um deles, mas no fundo em nome de que, eu não sei.
Antes disso observo-os, atordoados num canto, e pergunto se o problema é meu, se na minha infinita ignorância eu sempre acabo criando esses indesejados. Ou se o problema é dos outros, que os ignoram, que não os veem, que passam batido. Mesmo sem um culpado o problema existe. Então me digam o que fazer...
É uma Caixa de Pandora, uma caixa de surpresas, uma caixa de problemas.
Dê-me um motivo, uma ordem, qualquer coisa. Um beco frio, um lugar pra morrer, tempo pra matar, qualquer coisa que resolva, que me faça entender...
O que eu devo fazer com esses sentimentos? Onde devo colocar esses pobres órfãos? Até quando toda essa loucura vai durar?
Abro a caixa lentamente. Atordoados com a luz eles se encolhem ainda mais e só aos poucos vão saindo, perscutando os mistérios, dando passos trôpegos, farejando o mundo.
O mundo.
É triste dizer que vou jogá-los em meio a tão feia coisa. Mas meus braços, já não suportam mais. Meus ombros estão cansados. E a única coisa que consigo fazer é deixá-los ir.

sábado, abril 11, 2009

Teoria sobre aquele abraço:
Não são mais do que impressões livres de momentos específicos, mas são. Não quero fazer conjecturas (mas elas acabam feitas, por si mesmas), mas a questão é que a sensação é única e quase inexplorada. É estar em casa, mas no sentido mais figurado e estranho que isso possa ter. E como ter carinho puro, mesmo que unilateral. É "golden people". Talvez por isso eu tenha gostado tanto da música: ela expressa em sons o que eu gostaria dizer em palavras e não consigo. Eu me senti exatamente daquele jeito, naquela noite, e é como me sinto sempre quando volto àqueles braços. Motivos, eu não sei dizer. O que mais me espanta é que dessa vez eu não idealizei, nem imaginei nada: aconteceu. E é a melhor e pior parte da coisa ao mesmo tempo. E o que mais dói é ter de deixar esse abraço sentindo que não me pertence e que me é vetado. O que mais dói é estar em um lugar que você não gostaria de abandonar nunca, mas é forçada a isso, a simplesmente ir embora e esquecer...

Teoria sobre a minha fraqueza:
É a sensação da ausência de chão e de abrigo. Sinto que sou a âncora de vários problemas, mas boio no caos do mundo. Não vai me levar a lugar algum, e os problemas vão comigo, pesam nos ombros e eu não tenho a quem recorrer. Minha atordoada e hipócrita família, amigos irritados, sentimentos completamente não resolvidos, tudo isso se mistura e me corrói. Eu estou cansada de como diria Renato "tentar ser forte a todo e cada amanhecer", mas sinto como se não tivesse onde recorrer. Eu não quero fraquejar, por que no fundo existem pessoas que dependem da força que eu passo... mas o que fazer quando a pilha tá acabando e as pessoas só querem mais? Eu me sinto cada vez mais fraca por dentro enquanto me mostro mais forte por fora. E como dói.

Teoria sobre essas palavras ao vento:
É o que mais existe na minha vida. Palavras desperdiçadas. Mas tudo bem... É nessas horas que eu amo - e odeio - esse blog praticamente desconhecido.

domingo, março 29, 2009

Tem algo na minha alma que eu não consigo explicar. Não é como se o mundo tivesse acabado mais uma vez. Não. É mais como a calmaria vazia depois da tempestade devastadora. Como meu próprio buraco negro se manifestando.
Eu não quero mudar, não quero parar, não quero desistir. Mas esse é exatamente o caminho certo. Gostaria de me acalentar mais uma vez nas mais doces ilusões, porém acho que finalmente meu coração vai deixar meu corpo descansar.
Ou talvez seja só mais um alarme falso.
Mea culpa se continuo agindo assim, não há como culpar mais ninguém. As pessoas são normais, eu que faço tudo errado.
No fim vai passar, não é?
O céu vai escurecer e explodir e derreter, depois tudo vai voltar aos seus lugares aos poucos e o mundo vai continuar girando em seu eixo. O tempo e a distância curam tudo.
Já fizeram isso uma vez e sei que farão quantas vezes mais forem preciso.

quarta-feira, março 11, 2009

Okay. Eu tô surtando. Só pode ser. Tô vendo coisas onde não existem. Eu vou pular de um abismo e tô confundindo cum saco de tijolos com um para-quedas (com hífem ou sem hífem? Pff... eu eu ainda consigo pensar na reforma ortográfica!). Eu tô confundindo tudo, eu acho. Na verdade eu acho que nunca entendi nadica de nada disso!
Por que? Por que eu? Tava tudo indo tão bem não tava? Eu tava conformada. Não feliz, conformada. Mas tava valendo, eu tava traçando um plano, já. Daí tudo muda, tudoooo!
Por que?
E por que que eu tenho tantooo medo? Por que eu fico tão paralisada só de pensar? Que isso minha gente? Tô precisando de tratamento psiquiátricooooo?? Okay, não respondam.
Eu quero, mas tenho medo. Quero demais, mais do que qualquer coisa que eu esteja desejando, ultimamente.
Eu sei que vou pular, mas antes mesmo de saber o que vai acontecer eu começo a chorar em cima dos meus mil pedaços.
A questão é: não há volta. Está feito.

E claro, seja bem vinda de volta, Delirium! De volta a minha mente, sua antigaaa morada.

E tô pouco me lixando pros erros de português que tem no texto. Não tô com saco pra isso. E no fundo, no fundo, eu acho que português como um todo é um erro!

quinta-feira, março 05, 2009

Fall in love

Daquela vez, era certeza. Julienne desceu do carro decidida a mudar todo aquele quadro ridículo, vivido por meses e meses a fio. Ela não tinha mais 16 anos para continuar com aquela meninice!
Abriu a porta e saiu, parando um segundo para ajeitar a roupa, fechando a porta logo em seguida com um estrondo maior do que queria.
Mal sinal.
Respirou fundo pra espantar as besteiras que tinha em mente. Qual o problema? A porta tinha batido com um pouco mais de força. Isso não queria dizer que ela estava absolutamente nervosa - quase histérica - morrendo de vontade de sair dali correndo e deixar tudo como estava.
Imagina.
Qual o problema em fazer aquilo? Qual o sentido em continuar como estava? Simples assim, entraria, abriria a porta, encontraria-se com ele e por fim abriria o jogo. Ela não era qualquer uma que ele tinha sempre que bem entendia. Ela não iria servir de diversão para noites frias.
Bastava.
Deu passos certeiros em direção a porta, absoluta de que deveria proceder assim, de que o certo seria expor, dizer, explicar. Ela não queria ser só corpo. Queria muito mais doar-lhe a alma.
Era muito?
Abriu e entrou, por um milésimo de segundo completamente segura de si. Até ouvir a risada. Aquela risada. Até ver os olhos. Pelos olhos dele o mundo lhe sorria.
Maldição!
Nunca estaria a salvo perto de olhos assim. Sem jeito, perdeu a convicção. Perdeu, aliás, a idéia de por que tinha se deslocado até ali e a única resposta que achou era que tinha ido pra comtemplá-lo.
Aquela fascinação era absurdamente perigosa e possivelmente seria sua perdição.
Quando a percebeu ele sorriu, surpreso e a convidou para terminar de entrar e se sentar, coisa que ela fez, meio mecanicamente e então, absurdamente, uma frase aparentemente desconexa saltou-lhe a boca:
- Eu não quero me apaixonar de novo.
Através de seus olhos o mundo sorriu, malicioso:
- Más noticias, querida... Por que dizem por aí que para esse tipo de coisa não existe escolha.


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Texto desconexo e sem sentido, mas tão verdadeiro.

domingo, janeiro 18, 2009

Ano novo, vida nova?

A pergunta de sempre, claro.

Só resolvi que não vou resolver nada, este ano.

E que a vida siga seu curso traçado no livro do Destino.

"Dust in the wind"

segunda-feira, dezembro 22, 2008


Cold Christmas

Tem algo de muito errado com o Natal, ela pensou. São as luzes. Todas elas estão muito erradas. Um brilho frio, vazio. Triste. Tantas cores e tão triste. Tem algo de errado com as pessoas, ela sentenciou. Com tantos pacotes nas mãos e tão vazias. E há, sem dúvida, algo de errado com as árvores enfeitadas. Mortas, todas elas. Feitas de um plástico frio e morto, regado com purpurina. Há algo de errado com o mundo, ela resolveu. O mundo lá fora, girando como se nada estivesse fora do lugar. Mas está... Muita coisa está fora do lugar.

Há algo de errado comigo, ela falou em voz alta, para conseguir realizar.

Há algo de errado com ela. Por que mesmo com tantas cores vejo tudo em preto e branco. Há algo de errado com o meu Natal, com certeza. E o que está errado é ela. E então, ela resolve, e cantarola enquanto maqueia ainda mais a árvore morta: "We drink to die, we drink tonight".

Um bom Natal a vocês.

segunda-feira, novembro 10, 2008



Rainha de Lugar-Nenhum.

Só sentada lá, sem saber onde está. Seu olhar vago simplesmente reflete o lugar a sua volta: a ausência de tudo, a brisa fria que sopra ao redor das coisas mortas, dando a sensação de que, nem se um tufão se manifestasse ali, algo saíria do lugar.
Onde foi parar o reino que eu deixei aqui? Existir, ele existia. Ou um dia tinha existido...
Sentia ondas longínquas de realidade, ondulando tão longe, mandando recados de que o passado, querida, simplesmente já não existe mais.
As mãos vazias são sinais do tempo.
Os olhos vazios não dizem nada.
Os dias dourados se foram e os cinzentos só começaram, como raízes crescendo em sua alma. E se tinha algo que tinha aprendido em seu tempo de reinado é que alma não pode ter raiz. Alma tem movimento, tem brilho, tem luz.
Quando cria raiz, ela pesa como chumbo. E mal você percebe e está afundando em direção ao nada.
Seria assim que ela tinha chegado ali?
Ela teria naufragado do seu mundo, em direção aquela pálida e grotesca cópia?
Para ser sempre só a Rainha de Lugar-Nenhum. Sentada lá, esperando.
Só sendo aquela que sempre espera e no final... nunca acha.

terça-feira, outubro 21, 2008

Ver o amor pela janela



Vincent se debruçou na janela, tampando parcialmente os olhos com uma das mãos, para se livrar da claridade excessiva da tarde de verão. Estava um dia enjoativamente bonito, excessivamente ensolarado e absurdamente quente (ou pelo menos mais quente do que ele considerava suportável). No jardim da casa seus pais conversavam.

Tinha recusado mil e um convites de ambos para ficar com eles embaixo da grande árvore que ficava, imponente, no meio do jardim. Era sol demais para sua pele muito alva, herdada da mãe.

Observou os dois, vendo os detalhes: os olhos expressivos do pai, o nariz fino e bonito, o jeito displicente de usar os cabelos sempre mais longos do que devia, a pele morena, a postura calculadamente desleixada. A mãe tinha um ar mais sério que ele, apesar dos anos a menos que carregava. Os cabelos longos e negros sempre amarrados desordenadamente, mas acabavam dando um ar "moderno" a ela. Os olhos tinham uma absurda cor prateada, quase como se não fossem humanos.

Vincent tinha os cabelos negros da mãe, os olhos expressivos do pai. E uma mente inquieta e criativa.

Olhando os dois no jardim, se perguntava como podiam estar juntos até hoje, mesmo com todas as briguinhas e ladainhas de todo dia. Ele sempre tão popular e charmoso, ela sempre tão reservada e quieta.

Mas não se largavam, como se uma corda invisível e sempre desejada os mantivesse juntos o tempo todo.

Naquele momento discutiam sobre cinema enquanto ela rabiscava desenhos num bloco pardo e ele dedilhava qualquer coisa na guitarra que era um grande passa-tempo.

Vincent, com toda experiência adquirida no auge dos seus 10 anos de idade, não entendia basicamente nada de relacionamentos e amor a não ser quando envolvia a sua família e (quem sabe, talvez, assim bem um pouquinho) aquela vizinha mais velha que ele não tinha a menor coragem de sequer puxar papo.

Mas ele sabia que existia algo. Algo de tão sobrenatural e forte entre os dois que fazia tudo sempre ficar bem.

Ele achava gostoso sentir aquilo, como se refletisse nele e o protegesse.

Ele gostava de ver o jeito que eles encaixavam as suas mãos enquanto caminhavam juntos, e o jeito que um completava sempre corretamente a frase que o outro queria dizer e não se lembrava.

E Vincent pensava se todos eram assim. E imaginava se um dia aquilo teria fim. E teorizava se um dia ele gostaria de alguém assim.

A mãe olha para o menino na janela, acena e manda um beijo.

Vincent acena de volta.

E conclui que o melhor, naquele momento, era simplesmente viver mais aquela calma, exageradamente quente e absurdamente linda tarde de verão.



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A visão inocente do amor. Como eu sinto falta disso.

Conto baseado em pessoas reais e outras nem tão reais assim, mas que formariam uma bela família.

(Johnny, Sammy e Vincent)

terça-feira, setembro 16, 2008


Como diria Renato "Os bons morrem jovens".
Digam o que disserem, pra mim Richard Wright era jovem e sempre seria.
Meus olhos insistem em lacrimejar quando penso nisso, pra mim é como se um ente querido tivesse morrido. Como se um velho amigo tivesse partido.
Eu vou sentir falta como se nos encontrassemos todo dia, e pode parecer bobeira, mas é a verdade. Admiração deixa essas marcas, e agora terei saudades.
Sentirei sua falta, Richard. Sentirei sempre a injustiça de nos terem te tirado assim, tão de repente.
Sua música sempre estará enchendo nossos corações, nossos corações estarão sempre com você.
We will miss you.
"They're never going to keep it simple. This comes down from above. I have no helm, no secret realm,I dream to be at the heart of love, a part of love. "

sexta-feira, setembro 12, 2008

Velha "carta" jogada ao vento, de destino ausente, carta sem resposta.

"Eu não sei... realmente não sei.É um mistério o por que desse email, mas acho que na verdade eu nunca vou clicar no botão "enviar" e fazer essa cagada, mas como ando bastante imprevisível, talvez eu o faça.Acho que no fundo só estou com vontade de conversar, ou simplesmente "falar" e talvez seja mais fácil fazer isso enviando um email pra alguém que eu acho que não vai ler este email. Sabe, é a sensação de "ser ouvida" (afinal chegar aí eu sei que o email vai) mas sem ser julgada, ou não ser realmente compreendida (por que ninguém me garante que você vai ter tempo pra ler).Ou talvez seja só o resto da minha sanidade mental indo embora mesmo. Sabe, eu estou cansada. Cansada de mim mesma e cansada de tudo a minha volta. Não quero fazer disso um "confissões de um emo" nem vou dizer que vou pular de uma ponte, tomar veneno nem nada. Essa fase já passou. Agora me resta a descrença morna e a decepção.Não vou usar meu próprio sangue como moeda de troca com esse universo ridículo. Dessa vez eu não quero morrer, eu quero mudar. E eu já tentei sabe? Tentei mudar pra menina boazinha que sempre faz tudo certo: e, incrível, me senti pior. Resolvi mudar de cidade: Brasília, tudo lindo e maravilhoso, lugar novo, vida nova. Também não deu muito certo. E aí, já que estava fora de casa, sozinha e dona de mim, resolvi tentar o oposto da garota boazinha: resolvi ser a garota má. Por que "as boas garotas vão para o céu, mas as más vão pra qualquer lugar". E era isso que eu queria: movimento(...) Enfim, eu me senti como a Keira Weaving. Você se lembra da Keira? (Do Samhain Village, fórum meu e da Lili de RPG sobre HP.)Aquela guria que tinha tido alguma coisa de bom, algum dia, mas que se deixou levar numa vida bem devassa, corrompeu seus pincípios e percebeu que depois que você destrói sua alma, não tem mais volta.Acho que foi isso que me fez pensar em você, esse paralelo com a Keira, afinal ela tinha o Jonny, e eu acho que, sei lá... um dia eu também tive você meio que como "porto seguro".Que ridículo falar isso, afinal você nem me conhece. Eu nem te conheço. É tão absurdamente patético falar que eu realmente gostei de você e que eu realmente pensava em você todo o tempo, que eu realmente amava você que me dá vontade de rir.Mas que fique claro que eu não esperei nada sério com relação a isso. Não sou tão boba assim. Não estou julgando nem acusando com esse email. Só estou relembrando da época em que eu conseguia sentir algo pelas pessoas, até mesmo se elas estivessem longe.Eu sinto falta desse afeto estranho. Isso acontece quando você fica tão anestesiado que não consegue mais sentir nada.Quando seu mundo se resume a satisfazer desejos idiotas e ter satisfação passageira esse tipo de afeto "verdadeiro" faz falta. Eu não sei mais pra que lado mudar e meu orgulho completamente "sonserino" me impede de pedir ajuda. E é nessas horas que você descobre que "fundo de poço tem porão". Eu mudei mais uma vez. Voltei pra casa.Mais uma mudança inútil. Eu sei bem que preciso mudar por dentro e não por fora, o lugar, as pessoas.Mas quando sua alma virou um grande pedaço de chumbo isso fica bastante complicado.A essa altura você deve estar se perguntando: o que eu tenho a ver com isso?Nada.Desculpe pelo "falatório", é só por que, apesar de tudo, a sua imagem ainda me dá um certo consolo e conforto. Espero que você esteja bem."

Enviado à 'Jonny' em 25/08/08. And I still the same.

terça-feira, setembro 09, 2008

Limerence (ou limerância) é um estado cognitivo e emocional involuntário, no qual uma pessoa sente um intenso desejo romântico para com outra pessoa (limerent object). O termo foi cunhado em 1977 pela psicóloga norte-americana Dorothy Tennov.
O termo seria o equivalente na linguagem cotidiana ao "ter uma queda por alguém", embora Limerence possa durar meses, anos, ou até mesmo pelo resto da vida.
Podendo variar de intensa alegria ou desespero extremo, tal estado depende da reciprocidade do objeto de Limerence (limerent object).


O conceito de limerância foi originado na pesquisa de Dorothy Tennov nos anos 60. Entrevistando mais de 500 pessoas dentro do assunto amor. O termo foi cunhado em 1977, publicado no livro "Love and Limerence: The Experience of Being in Love" no ano de 1979.

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Limerence

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Se tem uma coisa que eu entendo é disso aí. Acho que meu psicológico acha Limerence o maior barato. *suspira* Eu não acho. Não mais.